segunda-feira, 4 de julho de 2011

Infantilidade x Adultilidade

Sempre me fizeram sentir-me culpada pelas coisas que eu gosto.
Quando eu era criança na escola, me achavam “atrasadinha” por não pensar em namoradinhos, beijo na boca, festinhas.
Eu me preocupava qual roupa de boneca eu iria fazer ou comprar, qual história iria montar para que a família das minhas bonecas pudesse passar. Que horas ia começar Chaves e Chapolin. Que hora o sol ia baixar pra eu poder andar de roller na rua, ou bicicleta. Se no fim da tarde iria conseguir R$0,50 com minha mãe para comprar meu Kinder Ovo. Arrumar a minha fita para gravar os episódios de Sailor Moon ou Guerreiras Mágicas de Reiworth (nem lembro mais como escreve). Nossa como eu era julgada por ser fanática por Guerreiras de Olhos Grandes. Bom... Enfim... Minha vida se baseava em uma infantilidade que não era certa. Eu até tentava fazer a cabeça de algumas amigas e até conseguia, mas só a minoria. A maioria queria rebolar e ser xavecada pelos carinhas da escola.
Confesso que minha aparência talvez não tivesse me ajudado a ingressar no mundo da “ficada” aos 12 anos de idade. Eu sempre fui gordinha e nessa época não era nem um pouco vaidosa. Sempre com cabelo em rabo de cavalo, calça corsário, uniforme da escola e um tênis sujo, essa era a Amanda despreocupada.  Eu gostava de desenhos japoneses. Passava horas em frente à TV, alternando do canal Locomotion e Cartoon Network (no tempo que prestava) para assistir e gravar a maior quantidade de animes possível.
Mas não estou aqui para me autobiografar.
Quero refletir, sobre o quanto nossa sociedade exige que sejamos maduros, e que gostemos do que é “útil” para nossa vida. Quero dizer, se eu era criança era errado não pensar em namorar? Pensar apenas em desenhos, andar de bicicleta?
Quando eu tinha por volta de 15 anos, a cobrança era a mesma. Eu não me interessava por baladas. Gostava de Pokémon, Dragon Ball Z, colecionar revistas. Era errado? Para muitos sim, os “madurinhos” de plantão me criticavam...
O que queriam? Que eu arranjasse um namoradinho, jogasse minhas bonecas fora e engravidasse para amadurecer?
Até que ponto, sentar na frente da TV e assistir um desenho ou seriado mais jovem do que você é, pode ser errado? Nunca me consultei com um psicólogo. Parei de brincar de boneca por volta dos 13 anos, porém quando meu pai faleceu, eu já tinha mais de 14 anos, voltei a brincar algumas vezes. A infantilidade é psicológica?
Por volta dos 16 anos, senti que minha personalidade havia se formado, estava numa escola diferente e descartei pessoas que faziam mal à minha vida, ao meu viver. Conheci gente nova, e amadureci. Sim enfim amadureci. Mas não deixei de gostar das mesmas coisas. Claro que parei de gravar animes, mas não joguei nenhuma de minhas fitas gravadas fora, e quase sempre me pegava assistindo-as. Parei de brincar de bonecas, mas não joguei nenhuma delas fora, e de vez enquando ainda dava banho nelas para tirar a poeira. Eu sabia que mesmo tendo crescido e amadurecido minha personalidade, eu precisava sempre me lembrar de quem eu era.
Os meninos passavam a me interessar, mas eu não fazia questão. Havia coisas na vida que eram mais importantes. Sim, daria minha vida por um episódio inédito de Sailor Moon. Na internet, nada de bate-papos em busca de namorados. Me interessavam os sites de animes e mangás.
Quando se é jovem, a única certeza que temos é que vamos envelhecer e se lamentar pelas coisas que não fizemos. E me arrependo sim de não ter brincado mais, assistido mais desenho, dormido até mais tarde. Isso tudo eu podia fazer, era criança. Errado era quem não fazia.
Amadureceu mais cedo. Envelheceu mais cedo.
Hoje tenho 25 anos, e adoro assistir desenhos da Disney, e na maioria das vezes ao lado do meu noivo. Assisto GLEE, sozinha porque ele não gosta, e respeito isso.
Dirijo ouvindo GLEE, acredita? Adoro cantar. Adoro acompanhar os personagens e atores do seriado. Daria tudo para ser um dos atores, famosos e cantores. Isso não significa que não sou adulta. Sou sim, tenho que trabalhar tomar decisões, estudar, planejar meu casamento, pagar contas.
Mas me diga se em meio a tudo isso eu não tiver um tempinho que eu possa chamar de MEU e assistir, ouvir e divulgar o que gosto, para que viver? Para que crescer? Para que ter somente responsabilidades?
Temos que ser nós mesmos. Ser orgulhosos disso. Mostrar do que gostamos, sem vergonha do que o outro vai achar. Porque uma coisa eu aprendi. Se ficarmos preocupados com o que o outro acha, a gente perde muito tempo e coisas nessa vida, e depois acabamos por nos arrepender do que poderíamos ter feito a mais...

Bjs da Mandy ^_^

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